Um comboio com uma van e três camionetes carregadas com toneladas de alimentos percorre bairros da periferia de Curitiba para fazer a entrega de cestas básicas aos moradores de seis comunidades carentes. 1.500 famílias foram beneficiadas com a ação que faz parte do trabalho social do Santuário do Perpétuo Socorro.
O padre Joaquim Parron, coordenador do SOS Combate à Fome, que reúne voluntários do Santuário e movimentos sociais, acompanhou a ação, que tem a participação de acolhidos na Comunidade Terapêutica Santo Afonso. Eles auxiliam na distribuição das cestas e são um elemento fundamental na logística que torna possível que o alimento chegue às casas das famílias.
Foram atendidas nessa ação moradores das Vilas 4 de Novembro, no Uberaba; Pantanal, no Alto Boqueirão; Pontarola, no Tatuquara; Guaporé, no Campo Comprido; Formosa, no Novo Mundo. Cada cesta tem cerca de 20 quilos de alimentos básicos e é fruto de doações de empresas e de fiéis que frequentam as missas e as novenas do Santuário.
Para as famílias que recebem as cestas, elas significam uma benção, como explicou, emocionada, Caroline Domingues, da Vila 4 de Novembro. Ela contou que o óleo havia acabado no dia anterior em sua casa e ela não sabia como iria suprir a falta. “A gente está sempre precisando de alguma coisa aqui na comunidade. É uma ajuda muito grande”, disse ela, que tem uma filha de dois anos.
“Um gesto de solidariedade auxilia a salvar vidas”, lembrou o padre Parron, durante a entrega que se estendeu por toda a manhã e primeiras horas da tarde. Elessandra Barbosa, liderança da Vila Pantanal, reforça esta afirmação: “É uma ajuda essencial. A comunidade fica esperando por isso”.
Nas Vilas, além da distribuição das cestas, a atuação social do Santuário inclui outras ações como a implantação de cozinhas comunitárias, reforço escolar para as crianças, cursos de treinamento de mão de obra e apoio para colocação no mercado de trabalho. “O alimento é uma forma concreta de alcançar famílias vulneráveis e promover a dignidade”, explica o padre.
Corrente humana
A atuação dos acolhidos do Centro Terapêutico Santo Afonso é fundamental para o sucesso da distribuição. Eles fazem parte do contingente de 32 rapazes que passam por processo de recuperação de dependência química, em uma comunidade mantida pelo Santuário, no município de Quatro Barras, na Região Metropolitana.
Nos dias de entrega, eles já estão a postos às cinco horas da manhã para realizar o trabalho, que faz parte da reinserção social dos acolhidos. Eles fazem uma verdadeira corrente humana, para carregar e, depois, descarregar as cestas. Nos dias que precedem a distribuição, eles também organizam os alimentos e separam as quantidades necessárias para atender cada comunidade.
Na entrega deste sábado, estavam presentes 10 acolhidos. “É emocionante e gratificante ver a satisfação das pessoas recebendo os alimentos”, disse Márcio de Oliveira, coordenador da Comunidade Terapêutica. Ele estava acompanhado do filho, que se voluntariou para ajudar no trabalho.
José Ferreira, um dos acolhidos, está há cinco meses na Comunidade e contou que perdeu tudo que tinha para as drogas e chegou a morar na rua. “Eu era dominado por elas e não aguentava mais aquela vida. Pedi ajuda e fui encaminhado ao Perpétuo Socorro. Hoje, estou feliz e recuperado. Quero voltar à sociedade e ser uma pessoa digna e correta, com a ajuda de Deus e Nossa Senhora. É uma alegria estar ajudando o povo dessas Vilas”, falou.
Entre os trabalhos realizados pelos acolhidos do Centro Terapêutica, estão a confecção de pães para venda nas novenas de quarta-feira e dos bolos que são vendidos em fatias em ocasiões especiais como a Festa do Perpétuo Socorro, em junho. Essas vendas ajudam a manter as despesas do Centro.
Por: Celia Raquel
Jornalista – PASCOM



